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Criámos esta secção no intuito de que cada um de nós possa dar testemunho do seu percurso de vida.
Quem éramos, quem somos?
Envia-nos a tua história.
Ana Martinho fala-nos de si!
Ainda não tinha os 18 feitos, quando resolvi informar os meus Pais da decisão que tinha tomado, iria integrar-me na Força Aérea, com a autorização debaixo do braço, lá fui em direcção á BALUM-Lumiar para fazer a minha candidatura.
Foi a 6 de Outubro de 1991 que entrei naquela porta de armas do CFMTFA - OTA, sem saber o que me esperava depois de entrar.
O primeiro aviso, chegou logo de rompante, informaram que não iriam fazer qualquer tipo de distinção entre sexos, exigiam cabelos apanhados ou cortados, sem fios, brincos, ou coisas do género, e nesse dia, até a alcunha não me faltou, “Cascais”, fui eleita! Era eu a menina da Linha.
Foi lá que me convidaram para ser a “estrela” das fotos dos fardamentos femininos, eu era uma das 20 que tinha entrado naquela semana, porque não?
A recruta foi puxada, tivemos direito a semana de campo e tudo, comer comida enlatada e pão duro, chuva, frio, mas para mim, aquilo era tudo fantástico, as novas disciplinas, o armamento, o exercicio fisico, os “camaradas”.
Ao fim dos 6 meses, chegou ao fim, agora era as notas e a escolha da colocação.
Eu voluntariei-me para a BA4 - Açores, e para isso tive que fazer mais uma especialidade, na BALUM, seria SAS/ASR (Assistente de Serviço Religioso).
13 de Abril de 1992, lá estava eu no AT1- Figo Maduro, a primeira vez que andava de avião, e lá fui até aos Açores, Ilha Terceira.
A aterragem atribulada e a chegada á base foi interessante, eu era a única mulher da especialidade SAS/ASR, e a 4ª mulher militar daquela Unidade.
Formaturas, Clube de Praças, brincadeiras de praxe, amigos, aventuras, saudades, lágrimas, tive direito a um pouco de tudo, até uma nova alcunha “Sacristona”.
O acidente rodoviário que tive lá, foi o mais marcante da estadia, perdi dois amigos, e outros ficaram com bastantes mazelas para toda a vida, ainda hoje me lembro deles, quando olho ao espelho e vejo a marca na minha cara, que nunca desapareceu totalmente, nesse dia fiquei conhecida por ter fugido do Hospital da Praia da Vitória, eu não queria levar pontos e á minima oportunidade, fugi para a Base, onde estive internada quase um mês.
Ser a assistente do Capelão foi uma coisa diferente, ajudei nas missas, catequese, dei apoio aos habitantes da Unidade, até que ao fim de 1 ano, fui colocada na secretaria de pessoal, o sitio por onde toda a gente tem que passar, quando chega, quando quer ser transferido ou ir de férias.
E ai já fazia de Cabo de Dia á Unidade, andar fardada e armada, juntamente com dois militares Americanos a manter a ordem na Unidade.
12 de Junho de 1994, regressei ao Continente, desta vez vim para o EMFA-Alfragide, no Centro de Comunicações, onde estive como telefonista.
E foi ai que terminei a minha “estadia” na Força Aérea Portuguesa, a 20 Abril de 2000.
Hoje, com 34 anos, casada, tenho 2 filhos, de 7 e 5 anos, trabalho como Assistente Financeira, numa empresa de Recursos Humanos da Industria Farmacêutica.
Hoje recordo com saudades todos esses anos que lá passei, mas, ainda existem muitas coisas que me mantêm ligada á FAP.
Os amigos, que ainda conservo, as fotos e as recordações desses anos que lá passei, amando e respeitando orgulhosamente a farda que vesti nesses 9 anos que dei á Força Aérea Portuguesa
Ana Martinho
CADJ/SAS-ASR/106924-B
Arquivo:
Carlos Colaço
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